Passei parte de minha infância diante de um balcão de bolicho olhando a velha estação ferroviária. Despachando uma pinga ou outra para ensacadores e ferroviários. Ou então vendo-os circular a mesa de sinuca, tudo muito precário e verdadeiro. Aliás, como tudo que se vê em geral neste país, exceto na globo. Nessa época era um consumidor voraz de gibis e também dos chamados bolso livros que lia e trocava com os ferroviários. Eram histórias de cowboys muito distantes que sabiam sacar mais rápido, mas meu faroete era outro muito mais real e impacatante, um lugar mais ou menos próximo da fonteira del paraguay. Todo final de tarde aparecia o meu preto favorito o velho gabriel caminhando calmamente com as pernas transadas e as mãos para trás. Tratávamos por seu gabriel, não por formalidade mas por costume. Lembro que de todas as minhas divagações e piadas juvenis ele sorria de um jeito meio bonachão e assentia com um “pois é pois é”
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o sorriso dele
o sorriso dele é vazio
a consciência dele embora absoluta é negativa
ele vê mais uma vez o dia nascer e pensa
‘vai começar de novo’
mas não há novo
não há nada
nem tempo nem história
só o vazio
preenchido pateticamente
com olhares desatentos
Sinto que não poderei esclarecê-los em nada – mas apenas nos esclarecer a partir deles. Portanto, o que se há de escrever não é “E então, China?” mas “E então, França?”
Roland Barthes, Diário de viagem á China. tradução: Ivone C. Benedetti.
A notícia de que você está se tratando por um novo método de “um bolchevique”, muito embora de um ex-bolchevique, deixou-me profundamente inqueito. Deus nos defenda de “camaradas” como médicos, de uma maneira geral, mas especialmente dos doutores bolcheviques! De fato, em noventa e nove casos dentre cem, os camaradas como médicos, são os mais completos “burros”, como me declarou uma vez um bom esculápio. Asseguro-lhe que a gente se deve tratar sempre (Abstração feita de insignificâncias) com autoridades de primeira categoria. Isso é uma crueldade o deixar experimentar em si as inovações de um bolchevique! Restaria, apenas, o controle pelos peofessores napolitanos…caso os professores sejam realmante competentes…Quero lhe dizer uma coisa: se você for viajar no inverno dê um pulo, de qualquer maneira, até um médico eminente da Suíça ou Viena – seria imperdoável que você relegasse isso. Como está a sua saúde agora?
Wladmir Lênin, Carta a Alexei Maximowitsch de “Cartas do Exílio” coordenação editorial e revisão: Henrique Ziegler.
Oi pessoal dos Segundos A e B aqui tem um link com um texto bem resumido sobre a política na Idade Média e na Intiguidade. Bom, e aqui a distinção entre Virtus latina (se pronuncia uirtus) e a virtù maquiaveliana. Valeu galera, até sexta. :** me liga.
Á la recherche du temps perdu
Quando garoto no início dos anos oitenta eu ganhei um toca-discos Phiilips portátil semelhante a esse aí de cima e também um velho LP do Rei. A capa era de um LP dele de 1980 que tinha a letra de “Guerra dos meninos” a qual decorei. Mas o disco em questão não era o que a capa se referia, estava trocado e o que eu tinha em mãos era um disco de 1978. Foi meu primeiro LP. Eu ficava por horas no quarto deitado, obervando ele girar ao contato com a pequena agulha. E o som que ouvia sem que me desse conta, ficaram impressos em minha memória. Estavam lá “café da manhã”, “a primeira vez”, “mais uma vez”, “lady laura”, “vivendo por viver”, “todos os meus rumos”, “fé”, “por fin mañana”, “força estranha”, “Tente esquecer” e “Música suave”. Nos anos noventa voltei de viagem para casa e no caminho o que mais desejei era ver o especial do Rei com minha mãe. Ontem falei com ela por telefone, ela disse que não anda bem de saúde que fará alguns exames. Hoje acordei ao meio dia porque às quintas é minha folga, pela tv do restaurante fiquei sabendo do aniversário do Rei. E, sei lá o que eu estou querendo dizer com tudo isso…
